Se já tem 32 semanas de gestação, então já sente de forma mais intensa as grandes transformações do seu corpo.
As hormonas começam a prepará-la fisicamente, tornando os tecidos mais flexíveis, para que o útero (constituído por músculo) se possa alongar e expandir, e para que o tecido conjuntivo (presente nas fáscias e nos ligamentos) se torne mais extensível, permitindo que os músculos rectos abdominais se possam afastar e a pélvis (“bacia”) possa “alargar”, acolher e acompanhar o crescimento de um novo ser, assim como PARIR.

Quer saber o que pode fazer para ajudar a proteger o seu Períneo durante o Parto?

ENTÃO ESTE ARTIGO É PARA SI!

Se pratica ou gostaria de praticar Pilates Clínico, fique a saber que existem exercícios que a podem ajudar a cuidar do seu Períneo durante o parto fisiológico (via vaginal) e que, assim como o seu corpo está em constante mudança, os exercícios de Pilates Clínico também devem mudar e estar adaptados a cada fase, e sobretudo a cada Mulher!

Com o Pilates Clínico poderá usufruir de todos os benefícios da prática de actividade física de baixo impacto, com exercícios adaptados à gravidez, que têm a segurança da mãe e do bebé como prioridade. Veja como:


  • Indução de relaxamento:
    A prática dos exercícios irá contribuir para que conheça melhor o seu corpo, ajudando-a a identificar posturas que aliviarão o seu desconforto durante o parto e que, juntamente com o controlo da respiração, contribuirão para induzir mais rapidamente um estado de relaxamento que lhe permitirá controlar os medos, a ansiedade e a reduzir a tensão do períneo. Ao reduzir essa tensão, os músculos perineais alongam mais facilmente, reduzindo o risco de lesão durante o período expulsivo.
    Para que melhor compreenda esta associação, tenho que lhe explicar de outra forma, uma forma mais “primitiva”.
    O nosso Períneo (constituído por muitos músculos e tecido fascial) situa-se na zona inferior da pélvis, entre o púbis e o cóccix, zona que apoiamos no selim da bicicleta. A sua contração permite-nos controlar a continência urinária e fecal, sustentar os órgãos pélvicos e ter prazer sexual (porque ao contrair estreita a entrada da vagina e retém o volume de sangue no clitóris).
    Sabendo que o nosso cóccix é uma “cauda residual”, onde se inserem quase todos os músculos perineais e que, tal como os animais irracionais, reagimos ao stress e ao medo “metendo a cauda entre as pernas”, não é difícil associar estes estados ao aumento da actividade e tensão perineal.


  • Melhoria do controlo respiratório:
    Melhorar a consciência respiratória vai-lhe permitir desenvolver um mecanismo de respiração mais eficaz. A inspiração profunda ajuda o Períneo a descontrair e a alongar mais facilmente.
    Assim, através dos exercícios de Pilates Clínico irá controlar a sua respiração para a ajudar a relaxar entre contrações e nos momentos em que necessitar de “fazer força” na fase expulsiva.


  • Melhoria da mobilidade:
    Para mim é muito importante que as futuras mamãs mantenham uma boa mobilidade. Além de usufruírem melhor a gravidez, durante o trabalho de parto vão conseguir mover-se, encontrar mais facilmente a postura que lhes dá maior conforto e variar as posturas para que o nosso sacro e a nossa pélvis (“bacia”) se possam mover.
    Quando o bebé estar a “descer” para o canal de parto, o sacro e a pélvis devem mover-se para aumentar a abertura superior e permitir um melhor encaixe (movimento de contra-nutação). Já no período expulsivo, para permitir que o bebé passe no canal de parto, a pélvis e o sacro movem-se para aumentar o espaço pélvico inferior (movimento de nutação), correspondente à região onde se encontra o períneo.
    Existindo uma boa mobilidade pélvica, o Períneo irá relaxar mais facilmente.
    Por isso também é tão importante que esteja familiarizada com a bola suíça (vulgarmente conhecida como bola de Pilates), pois os movimentos que pode realizar em cima dela vão facilitar esta mobilidade, ajudá-la a reduzir o desconforto, a relaxar e a facilitar a “descida” do bebé.
    E para iniciar a fase do “faça força”, coloque-se na posição que quiser, naquela em que se sente mais confortável e confiante, pode ser de cócoras, deitada de lado ou até quase sentada, tenho a certeza que a equipa que estiver consigo vai cuidar bem de si, respeitar os seus desejos e irá colocar-se na posição necessária para a ajudar a receber o seu bebé.


  • Manutenção do tónus abdominal:
    Manter uma boa capacidade de contração dos músculos abdominais, além de ajudar a reduzir as dores ao nível da lombar, que se fazem sentir sobretudo a partir do 2º trimestre, e a prevenir a Diástase Abdominal patológica, irá ajudá-la a conseguir contrair de forma eficaz os abdominais durante o parto, na altura da expulsão do bebé.
Espero ter sido esclarecedora e aproveito para lhe desejar uma “hora muito bonita”!