Sabia que a diversificação alimentar traduz-se na transição do leite materno, ou de fórmula, para a ingestão de outros alimentos, mais parecidos com a alimentação da família?

Uma das minhas grandes dúvidas como mãe de “primeira viagem” era quando começar a introduzir novos alimentos na alimentação do meu Lourenço, ou seja, quando poderia começar a comer a sopa, a fruta ou as papas, e quais?!

Acredito que todos os papás passam por imensas dúvidas, legítimas, até porque não há nenhum plano alimentar específico e os bebés são todos diferentes, com  processos de crescimento diferentes, sem “livros de instruções” e cada um com o seu timing (e poderei acrescentar, gosto já um pouco definido).

Mas afinal, quando poderei começar a introduzir alimentos?

O que está definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é que a mãe deve amamentar em exclusivo o seu bebé até aos 6 meses! Nem sempre conseguem, por variadíssimas razões e está tudo bem, não são nem melhores, nem piores mães por isso, OK?

É sempre importante frisar isto, porque vejo constantemente este sentimento de culpa que nos persegue, quer no meu círculo de amigas, quer em consulta e sobretudo em blogs dirigidos a mamãs.

 Quando a amamentação não é exclusiva até aos 6 meses, a diversificação alimentar pode ser iniciada aos 4 meses (segundo a ESPGHAN). Isto porque os estudos científicos que temos disponíveis indicam que aos 4 meses a função renal e gastrointestinal são suficientemente desenvolvidas para metabolizar os nutrientes dos alimentos oferecidos.

Como perceber quando o seu bebé está preparado para este processo?

Devemos observar o nosso bebé, avaliar a sua evolução motora e ver o que já é capaz de fazer, e só então decidirmos quando devemos iniciar esta nova fase. 

O nosso bebé está pronto para a diversificação alimentar quando:

Consegue ficar sentado com apoio e segurar bem a cabeça;
  • Demonstra interesse pela comida (mexe a boca, saliva, tenta agarrar a comida e/ou fica atento quando comemos);
  • Não fica satisfeito depois de ser amamentado ou de beber o leite de fórmula (mesmo quando se aumenta o número de mamadas ou as quantidades).

Se o nosso bebé já “cumpre” estes requisitos, então podemos iniciar a aventura da diversificação alimentar! 

Como começar a diversificação alimentar do nosso bebé?

Eu comecei por introduzir na alimentação do Lourenço o puré de legumes simples (batata, cenoura e cebola) e só depois pela fruta.

No meu caso, tenho um “bom garfo” cá em casa, mas não desespere se o seu bebé fizer cara feia, afinal de contas é tudo diferente, desde a textura, ao sabor e  até ao trabalho acrescido no treino da mastigação (que já não é só puxar a maminha ou a tetina).

Algumas dicas para quando iniciar a diversificação alimentar:

  • Sempre que introduzirmos um alimento novo devemos esperar três dias, para perceber se há alguma reação adversa (eczema, sono excessivo, nariz congestionado, erupção da pele ou dificuldade respiratória) e também para o bebé se habituar ao sabor/textura;
  • Aos poucos apresentar ao bebé vários sabores e texturas. Iniciar a alimentação com uma grande variedade poderá ajudar mais tarde na introdução da alimentação igual à da restante família;
  • Repetir várias vezes o mesmo alimento até o bebé aceitar (10 a 15 vezes, se for necessário);
  • Não se deixe enganar pelas expressões do seu bebé! Pode parecer que ele está a rejeitar o alimento, mas pode estar simplesmente a expressar estranheza perante algo novo!


Lembre-se sempre, devemos respeitar o padrão de maturidade do nosso bebé, ele não tem que ser igual aos outros bebés, tem o seu próprio tempo e está a descobrir um novo mundo!

A ciência tem vindo a demonstrar o impacto que a alimentação dos primeiros anos de vida tem sobre a saúde futura de cada ser humano. Vamos tentar dar aos nossos bebés “alimentos verdadeiros” e menos processados!
Em breve desenvolverei mais este tema noutro artigo!