Tudo o que precisa de saber sobre roupa compressiva para pós-operatório


Os bons resultados de uma cirurgia plástica não se “constroem” unicamente no momento cirúrgico. Os cuidados e tratamentos realizados durante o primeiro mês de pós-operatório assumem um papel preponderante para o sucesso da cirurgia.

É neste período que a roupa compressiva, também conhecida como malha de compressão, se torna uma peça-chave na estabilização, compressão constante e cicatrização da zona intervencionada. Isto é aplicável a todas as peças de roupa compressiva, seja uma cinta cirúrgica com ou sem perneira, um soutien, uma banda estabilizadora de implantes, uma mentoneira ou uma faixa de otoplastia.


Porque tenho de utilizar roupa compressiva?

A malha de compressão irá modelar a zona e aproximar os tecidos intervencionados, para que possam cicatrizar juntos, evitando a flacidez. Além disso, a compressão constante reduz o edema e previne complicações como a fibrose e o seroma.

No caso de próteses, ajuda a que os tecidos que rodeiam a prótese estejam estabilizados enquanto cicatrizam e que ela permaneça no local esperado.
Ajuda também no processo de cicatrização da ferida cirúrgica.


Quando, como e durante quanto tempo devo utilizar a roupa de compressão?


A utilização da malha de compressão inicia-se no recobro, após o cirurgião selecionar o tamanho adequado. A peça estará “justa”, mas não apertada em demasia, para que não comprometa a circulação sanguínea e a cicatrização local.

Em casa, deve ter o cuidado de vestir a peça de forma correta. Simétrica e com as costuras e etiquetas para fora (nestas peças de roupa as etiquetas estão do lado de fora). Não deve utilizar roupa interior por baixo. Ao colocar roupa por baixo irá marcar a pele com as costuras e dobras. Caso pretenda utilizar cuecas, por estar menstruada por exemplo, opte por cuecas mais largas, sem costuras e de algodão.

Durante o primeiro mês irá utilizar a roupa de compressão de forma ininterrupta, 24 horas durante os 7 dias da semana, com a exceção do tempo para a sua higiene e higiene da peça.

O tempo de utilização pode variar entre os 30 e os 90 dias, dependendo da cirurgia e da sua evolução. O seu Cirurgião Plástico e a sua Fisioterapeuta especialista em Dermatofuncional dar-lhe-ão o feedback.


Como devo lavar a roupa de compressão?


1. 
Lave a sua roupa à mão e em água fria;
2. 
Utilize um sabão neutro (pode ser de glicerina), lave apenas com as mãos, sem esfregar vigorosamente. Não é recomendado o uso de álcool ou lixívia, pois estragam as fibras elásticas, nem de amaciador, pois tem silicones que impermeabilizam as fibras do tecido, e este perde a função de ser “respirável”, podendo provocar irritação da pele;
3.
Enxague bem a peça, para que não deixe resíduos. Não “torça” a peça para a espremer. Absorva o excesso de água com uma toalha macia;
4.
Coloque a peça a secar à sombra, num local arejado. Não a prenda com molas.


DICA:
Muitas marcas recomendam que quando a peça estiver bem seca, a deve dobrar com cuidado, colocá-la dentro de um saco plástico e levá-la 20 a 30 minutos ao frigorífico, para que as fibras elásticas recuperem a elasticidade. Após retirar a cinta do frigorífico e do saco plástico, espere um pouco até ela voltar à temperatura normal e pode vesti-la. Estará como nova!


E se a malha de compressão começar a “ceder” e a ficar larga?


Dependendo da fase de cicatrização em que se encontra, poderá ter de adquirir uma nova peça, ou tentar apertar a sua peça. É preciso ter muito cuidado com a segunda opção, pois as costuras devem ficar muito simétricas e do lado exterior.

No caso dos sutiãs, eu aconselho sempre a adquirir outro igual. Como abrange a zona das axilas e nem todos os procedimentos permitem a aplicação de desodorizante, as utentes sentem-se mais incomodadas com o odor e têm necessidade de lavar a peça com mais frequência.

Espero ter contribuído para esclarecer as suas dúvidas e espero por si no meu consultório!